8. MUNDO 27.3.13

1. CRISTINA QUER FAZER O PRIMEIRO MILAGRE DO PAPA
2. O PAPA VERSUS A POMPA

1. CRISTINA QUER FAZER O PRIMEIRO MILAGRE DO PAPA
O governo Kirchner tenta separar o cardeal Bergoglio, que tratava como inimigo, do popular Francisco, que encanta os argentinos
 por Delmo Moreira, enviado especial a Buenos Aires

 ROMA AZUL E BRANCA - Argentinos mostram venerao pelo papa na Praa So Pedro
 
Com poucos dias de papado Jorge Mario Bergoglio j se tornou pea-chave de um ensaio de milagre: o da transmutao. Ele no  autor, mas objeto do almejado prodgio. A aspirante a milagreira  Cristina Kirchner, empenhada em provar que o cardeal Bergoglio e o papa Francisco no so a mesma pessoa. A presidente argentina joga seu futuro poltico na tentativa de transfigurar um arcebispo oposicionista a caminho da aposentadoria num popularssimo papa peronista alinhado com seu governo. Quem conseguir se apropriar do novo papa, acreditam os estrategistas do kirchnerismo, triunfar nos prximos e decisivos embates eleitorais que o pas tem pela frente. 
 
Quando o Vaticano anunciou a escolha de Bergoglio, o governo arreganhou os dentes. No era novidade para nenhum argentino a pssima relao de Cristina e de seu falecido marido, o ex-presidente Nstor Kirchner, com o arcebispo de Buenos Aires. O diabo tambm chega a quem veste batina, tripudiou Nstor certa vez. Cristina negou-lhe nada menos que 14 pedidos de audincia e o considerava acabado. Bergoglio j tinha escolhido at um modesto apartamento no seminrio do bairro de Flores, onde iniciou a vida religiosa, para viver o resto de seus dias como um pensionista suburbano. Os sinais de contrariedade com o renascimento do velho adversrio foram explcitos. Dispararam-se agravos da Casa Rosada, de ministros e congressistas, dos sindicatos amigos e das publicaes oficialistas, dos peronistas apaixonados e dos propagandistas comissionados. Acabaram reavivadas as denncias de colaborao de Bergoglio com os militares, j desmentidas pelo Prmio Nobel da Paz, Adolfo Prez Esquivel. Tambm remoeu-se o passado conservador da Igreja Catlica local, historicamente domesticada nos sales de estilo ingls da poderosa aristocracia rural argentina.

PERDO? - Cristina Kirchner  recebida por Francisco e tenta apagar as velhas richas
 
Mas isso tudo no surtiu nenhum efeito, pois Francisco encantou o mundo inteiro e o governo de Cristina Kirchner balana. A crise econmica se exibe em dados e fatos que os argentinos reconhecem de longa data: inflao maquiada, controle de preos, fuga de empresas e mercado negro de dlar com cotao que bate nos 70% acima do oficial. Uma desvalorizao cambial, vista com bons olhos pelo governo brasileiro, parece iminente. Alm disso, desde novembro ressurgiram os panelaos de protestos pelas ruas, mostrando a desiluso da classe mdia portenha, e a Confederao Geral do Trabalho (CGT) comea a preparar uma greve geral para abril. As suspeitas de corrupo envenenam o ambiente ainda mais. Elas esto na boca do povo, nas pginas de uma imprensa cada vez mais antagonista e pipocam mesmo nas vozes insuspeitas de antigos aliados. O ator Ricardo Darn, por exemplo, disse meses atrs que gostaria de entender como ocorreu a multiplicao patrimonial dos Kirchner, o que provocou a ira de Cristina. No sbado 17, a oposio se animou num protesto batizado de o passeio da corrupo K (a letra com que os argentinos identificam tudo que tem a ver com o kirchnerismo). Os manifestantes exibiam os endereos dos investimentos imobilirios de governistas proeminentes, moradores recentes da cara vizinhana do Puerto Madero.
 
Com um quadro assim, o pragmatismo poltico falou mais alto e deu-se a largada para a curiosa experincia da transfigurao papal. A operao se iniciou com a tentativa de desqualificao dos mensageiros. O chefe de gabinete de Cristina, Juan Manuel Abal Medina, atirou no inimigo de sempre: o jornal El Clarn que, segundo ele, inventou todas as desavenas governamentais com Bergoglio. Ento, comearam a aparecer por Buenos Aires cartazes impressos em preto e branco e papel barato com a foto do papa sob o ttulo Argentino e Peronista. Gente que havia criticado Bergoglio passou a elogiar seus pronunciamentos a favor dos pobres. Logo, a aguerrida e anticlerical La Cmpora, a organizao que desde o governo de Nstor Kirchner substitui a Juventude Peronista, encomendaria missas por Francisco em todo os cantos do pas, num dos indcios mais eloquentes da mudana dos ventos. A faco La Cmpora, fundada por Mximo Kirchner, o filho mais velho de Cristina e Nstor,  o xod do governo. Seus militantes controlam o servio de notcias do Canal 7, estatal, tm cargos em vrios ministrios e ganharam a direo de algumas das empresas estatizadas. Eles defendem o projeto nacional e popular de Cristina  ou Nac&Pop, como preferem grafar em suas propagandas.

AGITAO - O filho de Cristina, Mximo, organizou La Cmpora, o grupo peronista que faz barulho e ganha poder no governo 
 
A composio da nova atmosfera de paz acelerou-se de vez aps o encontro de Cristina com o papa Francisco na segunda-feira 18. A presidenta, que no encontrava Bergoglio havia trs anos, embora menos de dez metros separem a Casa Rosada da catedral, saiu de Buenos Aires no sbado a bordo do Tango-1 rumo a Marrocos. Prudentemente, o avio presidencial permaneceu estacionado em Rabat, sob a custdia do rei Mohamed VI, para evitar que acabasse arrestado por credores internacionais da Argentina, como j havia acontecido com a Fragata Libertad, retida em Gana meses atrs. Cristina esteve com Francisco por 20 minutos. De luto (h dois anos s veste preto), ela chorou e se mostrou humilde como poucas vezes foi vista. Depois, contou ter pedido para que o papa ajudasse na retomada das negociaes internacionais em torno das Malvinas. E voltou a empinar o nariz. Disse que ela e Francisco trocaram agradecimentos mtuos pelo encontro, que a aproximao havia sido proveitosa para os dois e salientou a preocupao recproca com a construo de um clima de moderao. Na quarta-feira 20, Cristina foi convidada para almoar com o papa, como um gesto de cortesia e afeto, segundo o Vaticano. A nova recepo durou cerca de duas horas e fez Cristina notar outros supostos avanos do papa. Ele teria se referido at mesmo  ptria grande, como os libertadores Simon Bolvar e San Martin gostavam de chamar a Amrica Latina. Este  um termo tambm caro aos Kirchner, sempre utilizado quando eles precisavam explicar sua proximidade com o ex-presidente venezuelano Hugo Chvez. Francisco no  Bergoglio, dispararam os tuiteiros governistas pelas redes sociais. Os aliados de Cristina reforaram o experimento da transfigurao em cada pronunciamento. Destacaram que a mudana de cenrio (ou seja, a eleio do papa) requer uma atitude nova dos atores, que Francisco est imerso em maiores preocupaes e responsabilidades que Bergoglio, que a Igreja no tem uma natureza poltica, apenas espiritual, que  preciso olhar para frente.

OPOSIO - O panelao em frente ao obelisco da capital mostra o desespero das ruas e Macri, o inimigo de Cristina, tambm consegue ser recebido pelo papa

Mas, pela frente, o que o governo Kirchner v mesmo so as importantes eleies legislativas de outubro. Elas sero o termmetro para a eleio presidencial que ocorrer daqui a dois anos, quando acaba o mandato de Cristina. O raciocnio compartilhado por governo e oposio  simples: no haver vitria em 2015 sem vitria em outubro. E ningum acha que  possvel sonhar com sucesso se carregar o peso da desaprovao do papa argentino. Cristina sabe que a direita no pode nos tirar esse papa, disse o filsofo Jos Pablo Feinmann, uma das mais respeitadas vozes do kirchnerismo, relembrando a comemorao que os militares condenados por crimes contra a humanidade fizeram no dia da eleio de Bergoglio (embora o papa Francisco j tenha defendido a condenao dos criminosos). O que estamos jogando  a apropriao de Francisco, arrematou Feinmann sem meias palavras.
 
Querer ser dono de um papa  um jogo, no mnimo, arriscado. Cristina j teve prova disso na quarta-feira 20, quando os chefes de Estado foram recebidos na Baslica de So Pedro. O papa soube que o prefeito de Buenos Aires, Maurcio Macri, adversrio ferrenho de Cristina, estava presenta, mas que havia sido excludo da comitiva oficial pela presidente argentina. Francisco mandou, ento, busc-lo j na Praa So Pedro e o recebeu com manifestao de afeto.

Alm do liberal Macri, o estilo corrosivo de Cristina fazer poltica atrai inimigos ferozes mesmo dentro do peronismo. Mas ela no refuga nenhum deles  ao contrrio, parece at cultiv-los. Seus principais desafetos no prprio partido, alm do presidente da CGT, Hugo Moyano, amigo de Bergoglio, so os governadores da provncia de Buenos Aires, Daniel Scioli, e de Crdoba, Juan Manuel de la Sota, ambos com pretenso de chegar  Presidncia da Repblica e com enorme apetite para as eleies de outubro.
 
O sonho que os partidrios de Cristina Kirchner j no escondem  o de obterem uma vasta vitria legislativa que lhes possibilite alterar o artigo 39 da Constituio, permitindo assim que a presidenta concorra a um terceiro mandato. Se isto no for possvel, eles j desenharam outra alternativa para seu acesso de chavismo explcito: o plebiscito. A ideia da consulta popular direta foi lanada no sbado 17, num encontro partidrio que reuniu governadores na cidade de Paran. A frase de lanamento, lapidar como amostra da confuso de interesses do governo de Cristina, foi cunhada pelo governador de Chaco, Jorge Capitanich: O pas precisa reafirmar a confiana em nossa liderana, pelo muito que fizemos e pelo muito que ainda nos falta fazer.


2. O PAPA VERSUS A POMPA
Em contraste com a opulncia e o excesso de protocolos do vaticano, francisco impe uma nova liturgia ao pontificado, marcada pela simplicidade das decises e pelo carisma pessoal
Por Dbora Crivellaro, enviada especial a Roma

Desde o dia 13 de maro, a majestosa Praa So Pedro, com suas colunas suntuosas e esttuas imponentes, tem perdido a atmosfera intimidante e adquirido os acolhedores contornos de uma parquia do interior. Com a presteza de um milagre, e aparentemente sem nenhum esforo, o papa Francisco j imprimiu seu estilo na Igreja Catlica. E est causando um enamoramento coletivo, at por parte de quem no professa a f crist. Alheio, e at arredio, ao emaranhado de protocolos, burocracias e  pompa que cerca a rotina de um pontfice, o religioso latino-americano faz jus  escolha do nome e desfila uma srie de atitudes e declaraes coerentes com seu passado de cardeal na Argentina, quando morava em um apartamento modesto, circulava de transporte pblico e preparava as prprias refeies. Incomodado com o tamanho e a opulncia do apartamento pontifcio, no qual ele afirmou caberem umas 300 pessoas, decidiu que ir usar apenas um tero dos 230 metros quadrados do local. Sentou na ltima fileira da igreja onde celebrou uma missa, na sexta-feira 22, para rezar com os jardineiros do Vaticano, horas antes de dizer a 180 embaixadores que o mundo deveria fazer mais pelos pobres. Tambm trocou o trono no Salo Clementino por uma cadeira normal. E, contrariando a tradio, anunciou que celebrar a missa Cena Domini, quando ocorre o Lavaps, na Quinta-feira Santa, em Casal Del Marmo, um centro de deteno para jovens, no na Baslica de So Pedro. 

DESCONTRAO - Papa Francisco fala para mais de seis mil jornalistas no dia 16 de maro, na sala Paulo VI: em questo de segundos, a plateia est conquistada
 
Essas foram apenas as mais recentes atitudes do jesuta nascido na periferia de Buenos Aires. Ao embalar esses gestos, est um homem de um carisma e um poder de comunicao impressionantes. Se as pessoas iam at Joo Paulo II para v-lo e at Bento XVI para ouvi-lo, vo at Francisco em busca de inspirao. E eles as retribui com uma oratria simples, de fcil alcance, recheada de palavras como perdo, misericrdia, bondade e ternura, e acompanhadas de histrias cotidianas, geralmente testemunhos pessoais de sua trajetria de dcadas como pastor. Um papa que fala bom dia e boa noite. Quem seria capaz de imaginar que, numa poca de grandes estratgias de marketing, um simples bom dia seria to revolucionrio? A impresso que d  que o mundo de hoje estava precisando exatamente disso: de um proco, tamanho o sucesso do novo pontfice.

HUMILDADE - O papa Francisco senta na ltima fileira da igreja onde acaba de celebrar uma missa, na sexta-feira 22, para rezar com os jardineiros do Vaticano
 
Justamente por se sentir  vontade entre seu rebanho, Francisco tem se misturado  multido, quebrado todas as regras do cerimonial e enlouquecido o corpo de seguranas do Vaticano. Para a missa solene de posse, no dia 19 de maro, dispensou o papamvel blindado e optou por um pequeno jipe, para caminhar entre os milhares de pessoas que foram saudar o incio oficial de seu pontificado. Assim, pde beijar crianas, descer do veculo e abraar um fiel doente, por exemplo. Enquanto estava misturado  massa, Jorge Mario Bergoglio mostrou-se feliz e ensolarado, como o dia que brilhava em Roma. Depois, quando a cerimnia, repleta de chefes de Estado, reis e rainhas, comeou, parecia desconfortvel e tenso. Tanto que, quando s 11h20 a celebrao acabou, em exata uma hora e meia, o pontfice argentino olhou para seu relgio de plstico, aparentando alvio. Durante a homilia, explicaria o porqu, indiretamente, de tamanho incmodo com o evento feito para coro-lo. Hoje, juntamente com a festa de So Jos, celebramos o incio do ministrio do novo bispo de Roma, sucessor de Pedro, que inclui tambm um poder.  certo que Jesus Cristo deu um poder a Pedro, mas de que poder se trata? No esqueamos, jamais, que o verdadeiro poder  o servio, disse Francisco, que, to logo pde, se livrou da estola preta e dourada sobre a batina e foi cumprimentar as autoridades presentes. A questo do poder j havia sido tratada no livro Sobre o Cu e a Terra, em parceria com o rabino Abraham Skorka, que ser relanado ainda neste ms. Na obra, ele fala que uma das caractersticas de um lder ruim  o abuso de autoridade e que  um erro um chefe religioso utilizar a f para alimentar o prprio ego. No  s um novo papa, mas um papa novo que nasceu diante de ns nestes ltimos dias, afirma o vaticanista Luigi Accatoli, do Corriere della Sera. Novidade de linguagem e de atitude so observadas a cada novo evento pblico.

FORA DOS PADRES - Um dia depois de ser eleito papa, na quinta-feira 14, Francisco paga a conta na residncia onde estava hospedado em Roma
 
Francisco j havia inovado no seu primeiro domingo como papa. Logo cedo, presidiu uma missa na pequena igreja de SantAnna, dentro do Vaticano, e repetia, orgulhoso, para os cardeais presentes, segundo o brasileiro dom Raymundo Damasceno Assis, presidente da Conferncia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): Vou celebrar na minha parquia, esta  minha parquia agora. Na sada, burlou os seguranas e foi para junto do povo, que seguia em direo ao ngelus. Cumprimentou e conversou com dezenas de pessoas. Pouco depois, surgiu na janela do apartamento pontifcio para seu primeiro ngelus. Cerca de 150 mil pessoas lotavam a Praa So Pedro e a via da Consolao para v-lo e ouvi-lo. E Francisco falou, de improviso, sobre misericrdia e perdo de Deus, contando uma histria sobre uma senhora argentina, temperando com um livro do cardeal telogo alemo Walter Kasper, o nico que rivaliza com Joseph Ratzinger em erudio atualmente, sobre o tema. Em silncio, e numa mesma sintonia, foram tocados pelas palavras do novo papa. Era comum ver pessoas chorando. O ngelus havia sido um blsamo para elas. Ele  simples e direto, diz a advogada brasileira Elisa Tfoli. Um papa bom, normal, humilde, um de ns. Estava afastada da Igreja, apesar de catlica, diz a vendedora italiana Chiara Angeli. Papa Francisco me inspirou a voltar. A Igreja de Roma estava com a popularidade e a credibilidade comprometidas. Bastaram poucos dias para o argentino transform-la, novamente, em uma luz universal. Agora respiramos uma mudana que a igreja e o mundo necessitavam, diz o padre espanhol Antonio Huelga. Um papa quebrar essa normalidade centenria  uma grandeza inesperada, afirma a irm Ceclia, de Livigno. No Vaticano, as lojas de souvenirs, que antes preferiam Joo Paulo II a Bento XVI, so inundadas de produtos de Francisco, um homem que prega o desapego e o no consumismo.

O encantamento  tal que pode se cometer um equvoco: Francisco  um homem bom, no bonzinho. Bergoglio sempre foi muito rigoroso e nada condescendente em questes de moral e doutrina. Quem no professa a Deus, professa ao diabo, disse, durante uma reunio com cardeais, dois dias depois de ser escolhido papa. Um jornal italiano publicou que ele teria expulsado o cardeal emrito de Boston, Bernard Law, acusado de acobertar centenas de casos de pedofilia de religiosos de sua diocese, da igreja Santa Maria Maggiore, em Roma. O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, negou a expulso. De qualquer forma, o desconforto do encontro j d pistas de que o novo pontfice ir lidar com bastante rigor com a chaga do abuso sexual na Igreja Catlica.
 
O novo papa recuperou o estilo de simplicidade evanglico, to presente no santo de Assis, tambm traduzidos em sua prpria vestimenta (leia na pg. 73). Na Argentina ele lavava os ps de portadores de HIV. Se permitirem, continuar a faz-lo, afirma padre Lindor Tofful, de Santa F. Especialistas dizem que o novo pontfice est resgatando o Conclio Vaticano II em toda sua plenitude. Isso pode ser observado quando, por exemplo, usa o termo bispo de Roma, e no papa, para se apresentar, ou impe um estilo de assembleia nas missas, em que os fiis so agentes das celebraes. O antigo cardeal de Buenos Aires  to desprovido de cerimnia e afetao que protagonizou uma cena inslita nos ltimos dias. Na segunda-feira , ligou para uma banca de jornal, em frente  Praa de Maio, no corao da capital argentina. Queria avisar aos donos, seus amigos, que no era mais necessrio entregar os peridicos em sua residncia. Graas a Deus, Francisco continua Jorge, disse Maria Elena Bergoglio, irm do pontfice. Assim seja.

